terça-feira, agosto 31, 2004

Pensamento fugitivo

Estive viajando por diversos mares; mares secos e mares molhados.
Estive pensando na vida, na morte, nas fases até se chegar lá.
Tudo é tão engraçado...
Mas só até alguém muito querido virar pra vc e perguntar: "Você ainda lembra de mim?"
Não idiota, só me esqueci de te esquecer... Tá bom assim? Só me esqueci de que me fez sofrer algumas vezes, mas já superei, tanto é que me lembrei de vc, na verdade nunca te esqueci, se bobo...
É chato estar sozinha num lugar que ainda estou aprendendo a chamar de casa, e o homem que mais admiro e prezo no mundo me pergunta: "Você ainda se lembra de mim?"
Gostaria que ele me dissesse: "Que bom vc ligou! Ainda penso em você!" Seria tão mais agradável....
Mas tudo bem....
Nem tudo café é doce mesmo....
Até a rapadura que é tão doce e saborosa na maioria das vezes é dura pacas!

quarta-feira, agosto 25, 2004

Pra hora da solidão: SOLITUDINE

Legião Urbana
Acrilic on Canvas
Composição: Renato Russo

É saudade,então
E mais uma vez
De você fiz o desenho mais perfeito que se fez
Os traços copiei do que não aconteceu
As cores que escolhi entre as tintas que inventei
Misturei com a promessa que nós dois nunca fizemos
De um dia sermos três
Trabalhei com você em luz e sombra
E era sempre:"Não foi por mal"
Eu juro que nunca quis deixar você tão triste
Sempre as mesmas desculpas
E desculpas nem sempre são sinceras
Quase nunca são
Preparei a minha tela
Com pedaços de lençóis que não chegamos a sujar
A armação fiz com madeira
Da janela do teu quarto
Do portão da sua casa
Fiz paleta e cavalete
E com lágrimas que não brincaram com você
Destilei óleo de linhaça
E da sua cama arranquei pedaços
Que talhei em estiletes de tamanhos diferentes
E fiz, então, pincéis com seus cabelos
Fiz carvão do baton que roubei de você
E com ele marquei dois pontos de fuga
E rabisquei no horizonte
E era sempre:"Não foi por mal"
Eu juro que não foi por mal
Eu não queria machucar você
Prometo que isso nunca vai acontecer mais uma vez
E era sempre, sempre o mesmo novamente
A mesma traição
Às vezes é difícil esquecer:
"Sinto muito, ela não mora mais aqui"
Mas então, por que eu finjo
Que acredito no que invento?
Nada disso aconteceu assim
Não foi desse jeito
Ninguém sofreu
É só você que me provoca essa saudade vazia
Tentando pintar essas flores com o nome
De "amor-perfeito"
E "não-te-esqueças-de-mim"

quarta-feira, agosto 18, 2004

Coisa Interessante

Aconteceu uma coisa interessante nesse final de semana: descobri que alguem gosta de mim de verdade...
Um amigo que admiro e respeito muito, até gosto dele um "pouquinho" me disso que tem medo de que eu goste dele e acabe sofrendo....
Achei tão bonitinho, ELE com receio de que eu me apaixone e me entregue e, então, sofra... Ele deixou bem claro que prefere me ter longe mas com a certeza de que ficarei bem.
Aí eu te pergunto: tem como não gostar de alguém tão carinhoso e atencioso e preocupado?
Ele é tão fofo!!!!
Mas, paciência! Ele não é para o meu bico!
Ricos comem caviar, pobres que se contente com farinha crua...
Bola pra frente! Coração fique quieto aí dentro, tem um anjo no céu que prometeu cuidar de você. Vê se para de chorar pelos cantos e veja o brilho da lua, e os raios de sol....
Eu posso não ser a dona do mundo, mas, aconteça o que acontecer, ainda sou filha do dono, então posso sair e voltar a hora que der na telha... Papai tá cuidando de mim....

quinta-feira, agosto 05, 2004

Meu Anjo

Álvares de Azevedo

Meu anjo tem o encanto, a maravilha,
Da espontânea canção dos passarinhos;
Tem os seios tão alvos, tão macios
Como o pêlo sedoso dos arminhos.

Triste de noite na janela a vejo
E de seus lábios o gemido escuto.
É leve a criatura vaporosa
Como a froixa fumaça de um charuto.

Parece até que sobre a fronte angélica
Um anjo lhe depôs coroa e nimbo...
Formosa a vejo assim entre meus sonhos
Mais bela no vapor do meu cachimbo.

Como o vinho espanhol, um beijo dela
Entorna ao sangue a luz do paraíso.
Dá morte num desdém, num beijo vida,
E celestes desmaios num sorrizo!

Mas quis a minha sina que seu peito
Não batesse por mim nem um minuto,
E que ela fosse leviana e bela
Como a leve fumaça de um charuto!